À você

Vou fingir compreender, abrindo as cortinas todas as manhãs e olhar para você com o sorriso plastificado, que sempre gostou de receber.

Caminhar em sua direção com braços abertos, querendo a aproximação dos  corpos, disfarçando a carência que sente por outras mãos.

À você entregarei minhas repugnâncias, para absolver este fingimento que alimenta a cada gesto jogado. Lentamente envelhecer as vontades e padecer neste leito voluptuoso até que acabem todos os disfarces.

Só assim, poderei despir-me por completo e entregar a alma àquela que me espera d’ outro lado do espelho.

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