Imagens de Fidelidade
Hoje tudo voltou a ser como de costume.
Recuperei meu cotidiano e livrei-me de uma enorme encrenca com meu cérebro.
Hoje o dia estava normal.
Nada parecia estar fora do lugar, e minha vontade de viver uma nova paixão foi tímida e pueril.
Mas, logo depois do almoço, fui devorado por uma sensação desconhecida, uma fraqueza, um medo de não ser quem penso ser.
Tornou-se desconfortante tal pensamento.
Meus pés não eram capazes de reconhecer este solo que muitas vezes já o pisaram.
Meus dedos de minhas mãos deixaram de serem ágeis por aproximadamente quase uma eternidade.
Logo, tudo deixou de estar agradável, porque existia uma cortante sensação de deslocamento. Eu não podia aceitar as horríveis imagens que se formavam atrás de meus olhos, não conseguia esconder o pavor que invadia meu corpo, não tinha para onde fugir nem como me esconder.
A certeza de não ser quem acreditava ser já estava formada. Então foi preciso matar cada um dos personagens que habitavam o sub consciente para poder resgatar a atual consciência.
Mas que consciência é essa que me obriga a fender meus sonhos?
Deus, eu imploro uma justificativa menos dolorida!
E o dia ainda era o mesmo, olhei em minha volta e tudo continuava igual. Então por que eu , somente eu teria que mudar?
Agora a madrugada se aproxima e a Solidão, fiel companheira, pede-me para deixa-la partir.
Abro a porta e lhe ofereço um último abraço.
Começo acreditar que fidelidade não existe, que mais inventado que a imagem de quem se imagina é a própria fidelidade…